Mensagem.
Quando você olha para o abismo, o abismo também olha para você. Friedrich Nietzsche

O diário perdido há muito tempo para conter a "oitava maravilha do mundo"


Em eventos que relembram a trama de uma aventura de Indiana Jones, dois pesquisadores acreditam que a descoberta de um diário histórico pode ser a chave para encontrar os misteriosos Terraços Rosa e Branco da Nova Zelândia - a lendária "maravilha do mundo".

Composto por grandes montes de depósitos de sílica, os terraços eram uma vez uma característica da região do Lago Rotomahana até uma enorme erupção vulcânica no Monte Tarawera em 1886, supostamente, mudou a paisagem da área para sempre.

Agora, a descoberta de um diário de campo pertencente ao geólogo suíço Ferdinand von Hochstetter pode fornecer uma maneira de descobrir as molas cor de rosa que já eram reconhecidas entre os povos indígenas por suas qualidades de cura.

Um novo artigo dos pesquisadores Rex Bunn e Dr Sascha Nolden detalha como as gravuras da geóloga suíça de 1859 da área os ajudaram a "traçar os locais do terraço perdido".

O diário de Von Hochstetter foi descoberto por Nolden em 2010 e contém desenhos de pesquisa para Lake Rotomahana que datam da erupção Mount Tarawera.

"As coordenadas para as plataformas de mola parecem ter dez a quinze metros de metro, ao redor das margens do novo Lago Rotomahana, um corpo de água que enche a cratera de erupção e cerca de dez vezes a área e a profundidade do lago original", lê o artigo , Que foi publicado no Journal of the Royal Society of New Zealand.

Nolden e Bunn dizem que agora têm conhecimento suficiente para recomendar a escavação de 10-15 metros (30-50 pés) no subsolo para encontrar os terraços.

Estudos nos anos após a maciça 1886 erupção sugerem o poder da explosão vulcânica mudou a topografia da região norte da Nova Zelândia e formou uma nova maior lago Rotomahana.

Considera-se que os detritos vulcânicos cobrem os terraços, que são descritos no Journal of Volcanology and Geothermal Research como depósitos de sinterização de sílica "icônicos" que foram estimados pelas tribos maoritas por sua "aparência majestosa".

De acordo com o estudo do ano passado liderado pelo geólogo Cornel de Ronde , os Terraços brancos foram originalmente localizados a 100 pés acima do lago antigo e foram formados por águas termais em cascata.

A coloração rosa de alguns terraços, situada no lado ocidental do lago Rotomahana pré-1886, pode ter sido causada pela presença de certos microorganismos.

O estudo afirma que as tribos locais se referiam às formações como uma "taonga" ou tesouro "por causa das qualidades terapêuticas das águas e sua aparência majestosa".

Lúcio Soares Adm da Pagina Lúcio Soares Adm da Pagina Author

A Coreia do Norte chama Trump a "psicopata"


A Coréia do Norte na quinta-feira atacou o presidente Trump como um "psicopata", uma vez que uma guerra de palavras aumenta após a morte do estudante norte-americano Otto Warmbier.

O jovem de 22 anos foi retornado comatose aos EUA na semana passada com uma grave lesão neurológica após 18 meses de cativeiro no Reino dos Hermit.

O jornal oficial de Pyongyang, Rodong Sinmun, afirmou que Trump estava considerando uma greve preventiva na Coréia do Norte para desviar a atenção de uma crise política doméstica, informou a Agence France-Presse.

"A Coreia do Sul deve perceber que depois do psicopata Trump ... só vai levar ao desastre", disse um editorial no jornal.

A morte de Warmbier - que foi condenado a 15 anos por roubar um cartaz de propaganda em um hotel - aumentou as tensões que já haviam sido altas devido aos testes de mísseis balísticos da nação desonesta.

Trump bateu o "regime brutal" em Pyongyang, dizendo que estava determinado a "impedir que tais tragédias caíssem de pessoas inocentes nas mãos de regimes que não respeitam o estado de direito ou a decência humana básica".

Washington também flexionou seu músculo na região, voando dois bombardeiros B-1 na península coreana na terça-feira em uma missão de treinamento planejada com o Japão e a Coréia do Sul como seu último show de força.

O Norte freqüentemente usou retórica inflamatória contra outros líderes mundiais por ações que desagradaram o regime.

Pyongyang comparou Barack Obama com um macaco depois que ele apoiou o lançamento cinematográfico de "The Interview" em 2014, um filme de Hollywood que zomba da liderança norte-coreana.

Lúcio Soares Adm da Pagina Lúcio Soares Adm da Pagina Author

Bolsonaro, a dimensão colonial


Apoio dos mais ricos ao deputado fascista revela como estão presentes, entre as elites, ideias de opressão dos pobres, submissão ao estrangeiro branco e predação da natureza

Por Joaquim Alves da Silva Jr | Imagem: Jean-Baptiste Debret

“… só temos o testemunho de um dos protagonistas, o invasor.
Ele é quem nos fala de suas façanhas.
É ele também, quem relata o que decidiu aos índios e negros, raramente lhes dando a palavra de registro de suas próprias falas.
O que a documentação copiosíssima nos conta
é a versão do dominador.”
Darcy Ribeiro

A ideia desta breve reflexão é remontar pontos históricos da formação do Brasil enquanto Estado e relacioná-los ao recente contexto de intensificação, por um lado, da violência direcionada às diferentes comunidades marginalizadas, e, por outro, ao paradigma de desenvolvimento extrativo e destruidor da biodiversidade. Esses componentes são pilares estruturais de um sistema de dominação que se consolidou durante período colonial, sendo galvanizado institucional e culturalmente por meio da constante reestruturação motivada ideologicamente pelos discursos que lhe correspondem ao longo do tempo. São três os casos recentes a serem comentados: a condenação a 11 anos de prisão imputada ao Rafael Braga, a palestra do deputado federal Jair Bolsonaro na Hebraica do Rio de Janeiro e a intensificação do desmatamento em paralelo ao aumento do genocídio na Amazônia. Em primeiro lugar, retornarei ao quadro histórico do século XIX para entender a inserção do Brasil nas relações comerciais e políticas do Atlântico, bem como a moldagem das influências externas no desenvolvimento do contexto interno do país.

A hegemonia inglesa no Atlântico, o tráfico de escravos e a escravidão

TEXTO-MEIO

Ao final do século XVIII, há uma intensa remodelação nas regras do jogo imperialista concentrando a disputa entre a Inglaterra e a França, confrontando duas perspectivas: a livre cambista e a colonial expansionistai. Em paralelo, o continente americano seria palco de um dos fatos mais extraordinários da história ao lado da independência das Treze Colônias inglesas e do movimento bolivarianista de independência das colônias espanholas: a revolta escrava da então colônia caribenha francesa de Saint-Domingues, a mais importante produtora de café e açúcar da época, resultando na Revolução do Haiti em 1791ii.

Esse momento catalisou inúmeros movimentos abolicionistas na América Latina, em paralelo à reação virulenta das elites coloniais coagindo revoltas de forma violenta. Ademais, surgiu um novo cenário de dominação política e econômica do Novo Mundo, concentrando-se na recém-independente República dos Estados Unidos da América e no Império britânico. Enquanto o Caribe seria continuadamente dominado no âmbito comercial pelos norte-americanos, os britânicos fortaleceriam seus laços com as Américas espanhola e portuguesa, abrindo também um lento caminho para a colonização da África e da Ásia. Na América Latina, os processos de independência foram marcados por três características principais: o controle das elites regionais sobre os novos Estados; a reorientação à expansão dos sistemas de monoculturas tropicais em proveito à crise de oferta do Haiti e; o aumento do tráfico escravista com base no plantation e outras matérias primas fundamentais ao impulso da Revolução Industrialiii.

O Brasil, a era da liberdade e o imperialismo escravista

A problemática da escravidão e do tráfico de povos africanos no início do século XIX era algo teoricamente contrário aos preceitos liberais, o que levou ao surgimento de movimentos abolicionistas e acordos internacionais nas metrópoles sob a liderança britânica. No entanto, a distinção entre tráfico de escravos e o sistema escravocrata nos esclarece os reais caminhos da “era da liberdade”. A pesar de os britânicos verem o fim do tráfico com bons olhos, tomar uma atitude mais enérgica em relação ao escravismo não era um consenso entre as elites, divididas entre a detentora das colônias e a pequena, mas crescente, elite industrialiv.

Mesmo a linear divisão entre os abolicionistas do norte e escravocratas do sul pode ser demarcada com menor linearidade com a entrada dos Estados Unidos como potencia imperialista: a dependência de escravos para o avanço ao oeste, o que levou a um acordo entre abolicionistas e escravagistas no início do século XIXv. Neste mesmo período, a república americana se transformaria na segunda potência marítima no mundo. Tecendo laços com Cuba, daria continuidade ao “ótimo negócio” tráfico de humanos, tanto para os escravistas do sul como os abolicionistas do norte. Os últimos, produtores de navios, controlariam o comércio atlântico do continente americanovi.

A colônia brasileira da época depara-se com a crise da cana-de-açúcar em vista da crescente competição com outras colônias, além da necessidade de garantir de suas fronteiras territoriais. Com o apoio britânico, ocorre transferência da Coroa portuguesa em 1808, abandonando a metrópole a Napoleão. Já o processo de independência em 1822 marca o início da história institucional brasileiravii. No período subsequente, até metade do século XIX, o alinhamento Brasil-Inglaterra foi continuamente enfraquecido, em muito pelo crescente combate ao tráfico escravista por parte dos ingleses, a exemplo da Convenção Antitráfico de 1826, assinada entre britânicos e portugueses, ou na influência na promulgação da Lei Feijó Barbacena de 1831, que proibia a escravidão de pretos aportados no império a partir daquela dataviii.

Por sua vez, o crescente império norteamericano não sofria até então a fiscalização britânica. Já o Brasil fortaleceria o comércio escravista centrado no baronato. Somente na primeira metade do século XIX, o Brasil recebeu aproximadamente 40% de todo o contingente de cerca de cinco milhões de escravos vindos da África durante toda a Históriaix. Há uma crescente insatisfação das elites regionais com a ingerência britânica nas tomadas de decisões relativas à restrição do tráfico escravista. A tensão diplomática se materializou com o aumento de impostos de importação e medidas protecionistas pelo lado do império (Tarifa Alves Branco, de 1844) e a Inglaterra outorgando, de forma unilateral e em caráter internacional, o comércio escravista como ato de pirataria (Lei Bill Aberdeen, de 1845)x.

Esse momento refletiu nas disputas entre a elite escravagista e o império, defensoras de perspectivas teoricamente díspares: a manutenção do sistema escravocrata e o liberalismo. Contudo, o controle cada vez maior dos canais parlamentares garantiu a promulgação de inúmeras legislações favoráveis às elites senhoriais e direcionadas à manutenção da escravidão. Destaca-se a Lei de Terras de 1850, fundamental para instituir a propriedade privada sem qualquer tipo de alteração na estrutura fundiária ou o fomento aos pequenos lavradores, posseiros ou escravos libertosxi. Mesmo a Lei Eusébio de Queirós que proibiu o comércio escravista (curiosamente publicada doze dias antes da promulgação da Lei de Terras), foi elaborada cuidadosamente para tirar as responsabilidades da elite rural em relação aos escravosxii.

Um dos casos de apoio mútuo entre a monarquia e a elite escravocrata ocorreu no episódio da tentativa dos EUA importarem seus escravos para a Amazôniaxiii. A ideia girava em torno de “uma necessidade absoluta de que os negros libertos [fossem] transportados para fora da jurisdição dos Estados Unidos, onde jamais poderão desfrutar de igualdade política ou socialxiv”. A proposta lastreava a pretensão de dominação territorial norteamericana que, contudo, acabou sendo vetada por Dom Pedro II. Havia a necessidade de proteger o ciclo econômico da borracha, em franca expansãoxv. Ainda assim, os EUA realizariam uma contínua campanha a favor do livre comércio na maior bacia hidrográfica do mundo.

Uma das questões mais importante da época girava em torno da ideia de “raças” e as implicações nacionalistas inspiradas pelas abordagens norteamericanas e europeias de eugenia. Em paralelo à preocupação da elite rural com as crescentes revoltas escravistasxvi, a questão racial foi o pano de fundo ao então embrionário meio intelectual brasileiro. As nascentes instituições educacionais da época eram palco privilegiado deste debate, cujo objetivo principal era o estabelecimento de critérios diferenciados de cidadaniaxvii. Isso se traduz na abordagem da incapacidade dos negros e mestiços ao trabalho livre, o que serviu como uma das justificativas à imigração europeia.

Enquanto a abolição era de fato promulgada em 13 de maio de 1888, o golpe senhorial-militar que marcaria o início da República Velha seria dado um ano depois. O caminho do modo de produção capitalista e de uma legislação formalmente liberal, instituídas via políticas de colonização e distribuição de terras às famílias europeias, conviveu com o trabalho escravo ou no máximo livre, especialmente nas zonas cafeeirasxviii.

A dupla face predatória do sistema escravista de plantação

A exploração da força de trabalho escravista está intrinsecamente relacionada com a forma de manejo dos recursos naturais. Entre o início da colonização até final do século XVIII, o Brasil participava do sistema mercantil extraindo recursos florestais e minerais. Havia uma agropecuária de caráter diversificado, visando o atendimento do mercado interno com as crescentes incursões para as Minas Gerais, bem como a cana-de-açúcar no nordeste e sudeste para exportação. Contudo, o sistema agrícola empreendido foi rapidamente sobrepujado pelas colônias inglesas, francesas e holandesas, que desenvolviam técnicas de melhorias partindo das experiências e aprendizados na África e Ásiaxix.

Com uma lógica arcaica baseada na abertura de áreas de plantio por meio do fogo, da usurpação das terras de indígenas e de pequenos posseiros, o sistema(?) agropecuário era improdutivo e predatório. A extração madeireira completava o ciclo exploratório, pois esta não somente fornecia lenha doméstica e para a mineração, como também para o avanço da grande lavoura por meio das suas cinzas. Nenhuma importância era dada à pesquisa da biodiversidade, ao conhecimento ecológico local, ou mesmo à utilização potencial desses recursos.

A vinda da Coroa ao Brasil no início do século XIX traz renovações liberais e científicas. Ligada a império britânico, a metrópole tentava superar o paradigma mercantil de exploração irracional da biodiversidade. Há o exemplo do surgimento de naturalistas brasileiros tais como José Bonifácio de Andrada e Silva, assim como a construção do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, também fundado em 1808, que abriu caminho para ações de conservação da Mata Atlântica. Entretanto, como argumenta o historiador Warren Deanxx, as elites rurais do centro sul, especialmente as fluminenses, instigadas pelo ciclo cafeeiro, estabeleceriam uma estratégia calcada em quatro movimentos.

Em primeiro lugar, a elite forçaria manutenção da escravidão até as últimas possibilidades: a Coroa portuguesa tinha a intenção de extinguir o tráfico de escravos, fato este que já ocorria em outras colônias conjuntamente à crescente pressão britânica. Por outro lado, a expansão do café e a intensificação do tráfico escravista seguiram. Havia resistência ao uso de técnicas para melhorias produtivas, causando não somente a sobre-exploração do trabalho escravo como a expansão da grande lavoura sobre os ecossistemasxxi. Adicionando o fato de que foi a escravidão, e não o café, a “atividade econômica” mais rentável da época para baronato rural;

Em segundo lugar, as elites acabariam com os obstáculos ao monopólio privado sobre terras públicas: ao final do século XVIII houve uma tentativa de maior controle sobre as terras da Coroa em relação ao regime de sesmarias, nada mais que um sistema de doação de terras públicas às elites rurais. Neste período surgiu uma corrente de pensadores reformistas que defendiam a necessidade de fixação dos limites das propriedades, parcelamento para pequenos posseiros e escravos libertos, reivindicação de terras abandonadas e a promulgação de políticas de conservação mais sólidas. Seria hoje o que chamamos de reforma agrária e, obviamente, nunca passaria do campo das ideias da época, enquanto a realidade mostrava um aumento sem precedentes de aberturas de terras e intensificação do tráfico escravista para nutrir o ciclo cafeeiro;

Em terceiro, temos a remoção de indígenas das terras e recrutamento forçado para o trabalho: aqui não há conflitos entre elites rurais, Coroa ou mesmo as correntes liberais da época. A escravidão de povos africanos não significava alívio algum aos indígenas, forçados às constantes fugas pelo avanço do plantation. A lógica da assimilação ou extinção seguia: capturados para trabalhos forçados, crianças vendidas, mulheres prostituídas, fixação das ‘aldeias’, algo semelhante ao processo de genocídio indígena durante a conquista do oeste nos EUAxxii. A elite rural organizava milícias caçadoras de indígenas, comumente chamados de bugreiros, com atuação em São Pauloxxiii e em Santa Catarinaxxiv. Como se apreende de uma frase dita na época: “A terra encharcada de sangue é terra boaxxv”.

O quarto ponto foi enfraquecer a legislação florestal: no período colonial, a Coroa proibia o corte de pau-brasil e de madeira de lei, bem como tinha o monopólio sobre a extração e venda dos mesmosxxvi. Ao início do século XIX, a extração madeireira, seja pela sua retirada em propriedades privadas, seja na interlocução com comunidades locais e indígenas, alimentava a indústria naval e as crescentes serrarias. Paradoxalmente, a dependência em relação à Europa era espantosa a ponto de o Rio de Janeiro importar mogno da Jamaica mais barato que os preços praticados das madeiras de leis locais, estas amplamente subsidiadas aos europeus. Outro interesse de exportação eram os animais e flores raras. A caça, tanto para alimentação dos posseiros como atividade de lazer das classes médias da época, extinguia rapidamente a fauna local, especialmente em áreas próximas às periferias urbanas.

O período em questão iniciaria a consolidação da unidade nacional marcada pela desigualdade estrutural do regime de acesso a terra, em adição à pratica predatória que destruiu boa parte da Mata Atlântica, não sendo nada além de um prelúdio ao que ocorreria com outros ecossistemas brasileiros. Após a proibição do tráfico de escravos, houve a migração de trabalhadores livres para o sudeste e para a região amazônica, esta última incentivada pelo ciclo da borracha. Já a região sul estabeleceria um regime diferenciado, em vistas da colonização de povoamento e da sua crescente importância regional como produtor de alimentos e de madeira para a nascente indústria paulista. A política de distribuição de terras em lotes familiares para os colonos europeus foi o pilar desta diferenciação estrutural no sul. Não que a região em questão não tenha se aproveitado do trabalho escravoxxvii, ou mesmo que não tenha destruído suas florestas de araucáriasxxviii, pelo contrário.

A questão atual é a mesma de sempre…

A evolução dos dois últimos séculos para os dias atuais evidencia um flagrante continuísmo do sistema desigual e predatório desenvolvido no Brasil, tanto na sua dimensão social como ecológica. Não faltam fatos históricos desta continuidade, tanto na repressão às periferias urbanas como no meio rural. Ao exemplo do avanço das commodities para o centro-oeste e Amazônia sob o mesmo modelo predatório e violento ocorrido na Mata Atlântica no século retrasado. O crime ambiental de Mariana completa um ano e meio sem qualquer solução. Acompanhamos a entrega dos recursos naturais e minerais, especialmente após a crise do sistema capitalista ocorrida em 2008, a exemplo da Petrobrásxxix. A tragédia farsesca vira piada geopolítica, uma das empresas mais importantes do mundo desmantelada e entregue aos mesmos imperialistas de sempr – estes sim, plenamente “aptos” a explorar recursos encontrados por pesquisa e tecnologia brasileirasxxx.

Por sua vez, a questão racial nunca foi enfrentada com o devido vigor;0, ao contrário, piorou ao longo do tempo. A condenação ao Rafael Braga por tráfico de drogas com provas que expõem duvida não é nada diferente do que já ocorria em finais do século XIX como método de controle das comunidades marginalizadasxxxi, ou mesmo com o aumento da violência nas periferias urbanas, em Terras Indígenas ou em comunidades camponesas durante a ditadura civil-militar. As “provas” da condenação — 0,6 g de maconha e 9,3 g de cocaína – estão sendo usadas neste momento por qualquer pessoa das classes médias e altas no Brasil. É uma amostra do racismo institucional instalado na era Vargas e mantido até os dias atuais sob o mito da democracia racial. Quando não reproduzido, esse mito é simplesmente enterrado do amplo debate intelectual e social crítico, com raríssimas exceçõesxxxii. Desta forma, compreende-se o porquê de boa porção da sociedade brasileira não se chocar com Claudias sendo arrastadas por camburões, torturas aos Amarildos, assassinatos de Marias Eduardas em escolas, jovens indo comprar lanche e sendo alvejados por 111 tiros, cento e onze tiros, CENTO E ONZE TIROS. Todos sob o jugo da força estatal de segurança. O círculo vicioso da violência institucional segue instrumentalizada pela lógica do soldado e do apartheid socialxxxiii.

A fala do deputado federal pelo Partido Social Cristão (PSC) e capitão da Reserva do Exército no Clube Hebraica do Rio foi chocante, o que não é novidade. O fato a ressaltar é como a divulgação dessa palestra foi tratada como banalidade pela maior parte das instituições e organizações, públicas ou privadas, civis ou militares. Muitas dessas comportam pessoas pretas como quadros e não foram capazes de emitir qualquer nota oficial em condenação. Nada de diferente da ideia de sociedade que se moldou historicamente. Numa das pesquisas eleitorais elaboradas pelo Datafolha, o deputado tem os melhores percentuais de intenções de votos entre as camadas mais ricas e com maior escolaridadexxxiv. Outro ponto a ser ressaltado é o local onde a palestra ocorreu, demonstrando que as contradições geradoras da exclusão e da desigualdade ocorrem em todos os meios políticos e instituições, incluindo as representantes dos povos que já sofreram com o preconceito e o fascismo.

A atenção dada pelo deputado à possibilidade de “uso econômico” de Terras Indígenas ocorre em paralelo ao recente aumento da violência no campo, como observado no Maranhão com a comunidade indígena Gamelaxxxv. Há o avanço contra a legislação voltada ao licenciamento ambiental e à estrutura estatal de proteção à biodiversidade, a exemplo das propostas de redução de unidades de conservação, além da criminalização de antropólogos, indígenas e procuradores dos Ministérios públicos com o relatório da CPI da Fundação Nacional do Índio elaborada pela bancada ruralistaxxxvi. Recentemente, um edital foi liberado pelo Ministério do Meio Ambiente para a contratação de empresas privadas com o objetivo de gerar informações espaciais da Amazônia, trabalho este já realizado pelo competente Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) há cinco décadasxxxvii. Em adição, discute-se a aprovação do Projeto de Lei n0 6442/2016, com o objetivo de reduzir a legislação trabalhista do meio ruralxxxviii para um modelo típico de relações pré-capitalistas, com o pagamento parcial do trabalho via alimentação, a possibilidade de venda das férias e dias descanso ao empregador, o aumento das horas trabalhadas, a participação no prejuízo em ano de colheita ruim, etc. Tal sistema se traduziria em termos concretos na volta ao regime de escravidãoxxxix.

Mesmo a finda fase progressista não passou de uma ilusão com enorme urgência de ser superadaxl. A estruturação das políticas sociais e de um Estado mais funcional foram pontos muito positivos, especialmente às comunidades pretas que se viram pela primeira vez como parte da agenda governamental no âmbito do governo federal. A implantação da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e das cotas raciais para concursos públicos são alguns exemplos virtuosos. Contudo, nada justifica um governo pretensamente progressista aprovar a Lei Antiterrorismo. Sem falar na miopia direcionada à dimensão ambiental. Relembremos da aprovação de um “Código Florestal Ruralista” e da pouca atenção dada às reivindicações de movimentos ambientalistas e de comunidades afetadas por grandes obras. Junte tal contexto à ausência da formação política de base e temos a janela de oportunidade à reação elitista, operacionalizada pela porção fascista da classe média, esta acompanhada de elevada carga de ódio às minorias majoritárias, movimentos de esquerda e comunidade LGBT. O resultado foi (mais um) golpe com relevantes perdas das poucas conquistas populares e da insuficiente estrutura estatal que se formara.

Porém, o sistema político brasileiro é cindido na origem. Ora é puxado pelo populismo no executivo, ora pelo parlamentarismo conservador elitista, este último com apoio do judiciário e das forças armadas quando necessário. Mestre Celso Furtado já nos alertava sobre a característica inata de um legislativo que, controlado pelas oligarquias rurais desde a época colonial, impediria quaisquer tipos de reformas de basexli. Aliás, todas as mudanças institucionais importantes no país se deram por meios elitistas, sejam eles políticos ou econômicos, incluindo a Constituição Federal de 1988xlii. Do outro lado do abismo, os “mestiços” que batalham diuturnamente, os verdadeiros construtores desta nação incompleta, são feitos de tolos pelas “meritocráticas” classes médias e altas que os exploram sistematicamente. Ainda assim, esses batalhadores tentam vencer todos os tipos de obstáculos, preconceitos, violências e assimetrias de acesso às condições básicas de uma vida dignaxliii. Como bem afirma Jessé Souza, no Brasil poucos são os heróis que superam esse enorme quadro de adversidades.

Já o racismo é parte de um sistema maior de dominação e, seja nas antigas metrópoles ou nas antigas colônias, todo país com tal herança é um país racistaxliv. Entretanto, no Brasil a questão racial é uma construção social que permeia a sociedade em sua totalidade. Dificilmente surgirão quaisquer perspectivas de mudança sem o amplo reconhecimento desse problema. Só resta saber quando os campos ditos progressistas conseguirão alcançar tal nível de autocrítica e humildade para reconhecerem suas falhas históricas em relação ao tema. Em paralelo, a destruição ambiental e o círculo vicioso do desenvolvimento-subdesenvolvimento mostra que a sobre-exploração humana não está dissociada da sobre-exploração da biodiversidade. Assim como não há separação entre o potencial controle social com o controle territorial dos recursos naturais. Essa é a base para a lógica de manutenção da complexidade ecológica ao mesmo tempo em que esta sirva às necessidades humanas básicas. A questão ambiental perpassa as dimensões socioculturais, ecológicas, político-institucionais e econômicas. Ou seja, a questão ambiental é fundamentalmente uma problemática humana.

Não há evidência de mudança estrutural positiva neste quadro, mas o caminho parece ser o trabalho no cotidianoxlv direcionado aos excluídos deste debate, conjuntamente à construção crítica da política alçada ao plano regional e internacional, visando à superação dos sistemas coloniais de sempre, bem como suas variações pós-modernas. Talvez, a busca por um verdadeiro universalismo passe pela relação recíproca em respeito às diversas expressões culturaisxlvi e pelos princípios ecossocialistasxlvii.

Notas

i# Camille Ramondeau, Laura V. Lammerhit, Natasha P. Silva e Renata Postal. O tráfico de escravos e a hegemonia sistêmica no século XIX. FRoNteiRA, Belo Horizonte, v. 10, n. 19, p. 7-23, 10 sem, 2011.
ii# Eric Williams. Capitalismo y Esclavitud. Madrid: Traficantes de Sueños. 2011.

iii# Tâmis P. Parron. A política da escravidão na era da liberdade: Estados Unidos, Brasil e Cuba, 1787-1846. 2015. 502p. Tese (Doutorado em História Social). FFLCH. USP. 2015.

iv# João D. A. C. L Carvalho. “Para britânico se lamentar”? As relações entre Brasil e Inglaterra e a lei de 1831. Sociais e Humanas, Santa Maria, v. 27, n. 3, set./dez. p. 9-17, 2014.

v# Camile Ramondeau et al., 2011, op. cit.

vi# Tâmis Parron, 2015 op. cit.

vii# Lilia M. Schwarcz. O espetáculo das raças: cientistas, instituições e questão racial no Brasil – 1870-1930. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.

viii# João D. A. C. L. Carvalho, 2014, op. cit.

ix# Maria Cristina C. Wissenbach. A Escravidão na África e o Tráfico Atlântico de Escravos (Parte 2). 2015. Disponível em: <https://goo.gl/cxcwMB>. Acesso em: 21 abr. 2017.

x# João D. A. C. L. Carvalho, 2014, op. cit.

xi# Maicon C. Silva e Lauro F. Mattei. A transição do trabalho escravo para o trabalho livre no Brasil: um processo de acumulação primitiva em uma economia dependente. REBELA, v. 5, n. 2, mai./ago. 2015.

xii# João D. A. C. L. Carvalho, 2014, op. cit.

xiii# Carlos Haag. O dia em que o Brasil disse NÃO aos Estados Unidos. Revista Pesquisa FAPESP, São Paulo, n. 156, p. 80-85, fev. 2009. Disponível em: <https://goo.gl/IxAp9i>. Acesso em: 23 abr. 2017.

xiv# Camille Ramondeau et al., 2011, p. 19

xv# Celso Furtado. A Operação Nordeste. In: Rosa F. de D’Aguiar, Celso Furtado: Essencial. São Paulo: Companhia das Letras. 2013.

xvi# Alberto Costa e Silva. O Brasil, a África e o Atlântico no século XIX. Estudo Avançados, São Paulo. v. 8, n. 24, p. 21-42, 1994.

xvii# Lilia M Schwarcz, 1993, op. cit.

xviii# Maicon C. Silva e Lauro F. Mattei, 2015, op. cit.

xix# Tâmis Parron, 2015, op. cit.

xx# Warren Dean. A ferro e fogo: a história e a devastação da mata atlântica brasileira. São Paulo: Companhia das Letras. 1996.

xxi# Rafael Marquese. Paisaje, esclavitud y médio ambiente en la economia cafetalera brasileña: Vale do Paraíba, siglo XIX. Asclepio, v. 67, n. 1, 2015.

xxii# Dee Brown. Enterrem meu coração na curva do rio: a dramática história dos índios norte-americanos. L&PM. 2003.

xxiii# Warren Dean, 1996, op. cit.

xxiv# Caroline Macário. Caçadores de índios. 2016. Diário Catarinense. Disponível em:

<https://goo.gl/SpHy9v>. Acesso em: 20 abr. 2017.

xxv# Warren Dean, 1996, p. 255.

xxvi# Rodrigo Medeiros. Evolução das tipologias e categorias de áreas protegidas no Brasil. Ambiente e Sociedade, São Paulo, v. 9, n. 1, jan./jun. 2006.

xxvii# Rosane A. Rubert e Paulo S. Silva. O acamponesamento como sinônimo de aquilombamento: o amálgama entre resistência racial e resistência camponesa em comunidades rurais negras no Rio Grande do Sul. In: Emília P. Godoi, Marilda A. Menezes e Rosa A. Marin. Diversidade do campesinato: expressões e categorias. V. 1. São Paulo: Editora UNESP. 2009.

xxviii# Miguel Mundstock Xavier de Carvalho. Os fatores do desmatamento da floresta com araucária: agropecuária, lenha e indústria madeireira. Revista Esboços, Florianópolis, v. 18, n. 25, p. 32-52, ago. 2011.

xxix# Andrey Cordeiro Ferreira. Crise do capitalismo e a nova ofensiva global pelos recursos naturais pós-2008. Le Monde Diplomatique-Brasil, São Paulo, mar. 2016. Disponível em: <https://goo.gl/wJREe2>. Acesso em: 4 abr. 2016.

xxx# Ildo Sauer. Nas Entranhas do Pré-Sal (Parte 1). Nocaute TV. 11 out. 2016. Disponível em: <https://goo.gl/3RI7m4>. Acesso em: 25 abr. 2017.

xxxi# Célia M. M. Azevedo. Onda negra, medo branco: o negro no imaginário das elites século XIX. Paz e Terra: Oficinas da História: Rio de Janeiro. 1987. 267p

xxxii# José J. Carvalho. O confinamento racial do mundo acadêmico brasileiro. REVISTA USP, São Paulo, n. 68, p. 88-103, dez./fev. 2006.

xxxiii# Frantz Fanon. Os Condenados da Terra. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira. 1968.

xxxiv# Ricardo Borges. Bolsonaro tem melhor resultado no Datafolha entre ricos e escolarizados. Folha de São Paulo, 30 abr. 2017. Disponível em: <https://goo.gl/ZfJBK0>. Acesso em: 1 mai. 2017.

xxxv# Congresso em Foco. Ataque a grupo de índios deixa vítimas com mãos decepadas no Maranhão. Disponível em <https://goo.gl/5JJc2Q>. Acesso em: 02 mai. 2017.

xxxvi# Alceu Castilho. Relatório da CPI da Funai criminaliza antropólogos, procuradores, CIMI CTI e ex-ministro. Outras Palavras, 3 mai. 2017. Disponível em: <https://goo.gl/UYkgBS>. Acesso em: 3 mai. 2017.

xxxvii# Herton Escobar. Governo Federal quer observação privada da Amazônia. Estadão, 3 mai. 2017. Disponível em: <https://goo.gl/UzhPNN>. Acesso em: 3 mai. 2017.

xxxviii# Carta Capital. Trabalhador rural poderá receber casa e comida no lugar de trabalho. Disponível em: <https://goo.gl/az6yu7>. Acesso em: 3 mai. 2017.

xxxix# Jacob Gorender. A burguesia brasileira. São Paulo: Editora Brasiliense. 1998.

xl# Patrícia Fachin. A esquerda pós-PT: “Chega uma hora em que a realidade precisa vencer o medo”. Entrevista especial com Rodrigo Nunes. Instituto Humanitas Unisinos. 17 abr. 2017; Disponível em: <https://goo.gl/M8gvMp>. Acesso em: 30 abr. 2017.

xli# Celso Furtado. Obstáculos políticos ao crescimento brasileiro. In: D’AGUIAR, Rosa F. Celso Furtado: Essencial. São Paulo: Companhia das Letras. 2013.

xlii# Luis Felipe Miguel. Resgatar a participação: democracia participativa e representação política no debate contemporâneo. Lua Nova, São Paulo, n. 100, p. 83-118, 2017.

xliii# Jessé Souza e William Nozaki. O Brasil não conhece o Brasil: ou, porque as camadas populares não são como as elites e as classes médias gostariam que elas fossem. Fundação Perseu Ábramo (online), São Paulo. 20 abr. 2017. Disponível em: <https://goo.gl/1xf6jH>. Acesso em: 25 abr. 2017.

xliv# Frantz Fanon, 1968, op. cit.

xlv# Luis Felipe Miguel, 2017, op. cit.

xlvi# Frantz Fanon. Racismo e Cultura. In: Frantz Fanon. Em Defesa da Revolução Africana. Lisboa: Augusto de Sá. 1980.

xlvii# Miguel Fuentes. El peligro de um eco-suicidio planetário como problema estratégico central de la Izquierda. Entrevista a Michael Löwy. Viento Sur, Bilbao, 06 mai. 2017. Disponível em <https://goo.gl/fYycFp>. Acesso em: 8 mai. 2017.

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Temer é o chefe da ditadura dos corruptos


Os historiadores do futuro vão ficar na dúvida a respeito de qual epíteto é o mais adequado para definir Michel Temer.

Mordomo de filme de terror? Vice decorativo? Traidor? Golpista? Corrupto?

Tomo a liberdade de sugerir que o chamem de "coveiro da Nova República". Traidor de Ulysses Guimarães.

Acho que é a definição mais adequada porque tudo o que ele e o bando que trouxe para o Planalto fizeram até agora, em um ano de mandato ilegítimo, foi anular o que a constituição de 1988 introduziu em matéria de direitos civis e econômicos com o objetivo de diminuir a monumental desigualdade social que vigora no Brasil.

Valendo-se de uma maioria na Câmara e no Senado que tem o mesmo perfil do governo, composto por investigados e suspeitos de corrupção, que são protegidos por Temer até mesmo com a criação de ministérios especiais, como no caso de Moreira Franco.

Eles não derrubaram a presidente eleita para colocarem o país nos trilhos e sim para enterrarem a Nova República.

Temer é o coveiro-mor.

Aqueles que achavam exagero chamar de golpe o que aconteceu no ano passado, podem constatar agora que foi golpe, sim, e a prova é que Temer e seus subalternos não fizeram outra coisa nesses quase 400 dias de governo a não ser mudar a constituição.

Que é a primeira medida de todos os golpistas quando chegam ao poder.

E mudar para pior. Para retroceder aos tempos pré-ditadura Vargas.

A constituição-cidadã está virando uma constituição-cortesã.

Ainda não está claro o que virá depois da Nova República. O que é certo é que ela está morta e o estágio atual se assemelha a uma ditadura.

Não é uma ditadura clássica, civil, como a de Vargas ou militar, como a de 64.

É uma ditadura nova, fruto dos tempos atuais: a ditadura dos corruptos.

Eles mandam no Executivo, no Legislativo e no Judiciário.

Todos chefiados por Temer.

E não precisam do aplauso das ruas. Preferem o cheiro dos cavalos.

Tanto é uma ditadura que o principal movimento de oposição a ela clama por Diretas Já.

Não estamos mais naqueles tempos românticos da caixinha do Adhemar.

Não estamos mais no tempo em que o sobrenome de outro corrupto notório deu origem a um novo verbo: malufar.

Não estamos mais no tempo de Collor.

Todos amadores perto dos que agora ocupam os postos-chave da República.

A corrupção se tornou tão corriqueira nas relações entre políticos e empresários e cresceu tanto que os corruptos, agora, são maioria.

Agem, agora, como organização criminosa tipificada na Lei 12.850 promulgada pela presidente Dilma em 2013, que regulamentou a "colaboração premiada" dos delatores e a "ação controlada" da Polícia Federal, na qual o próprio Temer está incurso:

§ 1o Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.

Nessa organização temos um brilhante fabricante de medidas provisórias, chamado Eduardo Cunha, preso em Curitiba; um carregador de mala milionária, preso em Brasília, chamado Rodrigo Rocha Loures; um coronel aposentado que recebe 1 milhão por ordem de Temer e paga as reformas das suas filhas; um turista eventual chamado Henrique Eduardo Alves, também preso; uma "mula" do ministro Padilha, chamado José Yunes; um resoluto defensor dos interesses particulares em detrimento dos públicos, Geddel Vieira Lima, prestes a ser preso. Falta alguma coisa para tipificar uma organização criminosa?

Ah, e todos comandados por uma pessoa que entra num jato particular sem saber de quem é, recebe visitas clandestinas no porão do palácio, recomenda manter a compra do silêncio de um corrupto notório, pede e recebe dinheiro de Marcelo Odebrecht, concorda em subornar juízes

A noção de vergonha também se esvaziou com o passar dos anos. Quando ficou patente que Collor comandava uma organização criminosa na qual era representado por PC Farias, sua base de apoio se desmilinguiu.

Agora, não; os fatos desabonadores que saem todos os dias em desfavor de Temer não provocam a debandada que se espera de políticos que juraram cumprir a constituição e dos quais se espera serem no mínimo honestos.

Nem ratos nem tucanos abandonam o navio pirata.

Em vez de repúdio, Temer recebe apoio.

E os tucanos ainda dizem que com isso estão ajudando o país.

Resta saber qual.

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EUA: Jeff Sessions, o Ministro da Justiça Trump minimiza "caso russo"


Jeff Sessions entregou o testemunho que deixa em aberto a questão da possível interferência de Moscou na eleição presidencial.

A pesquisa "russo" não avançar, mas que as perguntas se alimenta sobre a nova administração norte-americana não vai embora também. Uma semana após o ex-diretor do FBI, James Comey, Jeff Sessions , o procurador-geral dos Estados Unidos, que ocupou o cargo de ministro da Justiça , foi ouvido pela Comissão de Inteligência do Senado, Terça-feira, 13 de junho de Washington .
Todo país tem um Gilmar Mendes de estimação...
Sessions foi perguntado por sua vez sobre a possível conluio entre membros da equipe de campanha de Donald Trump durante o hacker presidencial e computador 2016 responsável por campo democrático atribuída a Rússia , o que lhes nega.

Com uma diferença notável de M. Comey desde Sessions foi uma parte importante desta campanha, mesmo se continuar pela relativizar seu papel. É também por esta razão, ele garantiu terça-feira que se absteve de votar para este inquérito é agora supervisionada por um promotor especial, Robert Mueller.

Memória falhou

Enfrentando seus antigos colegas, que se sentaram no Congresso antes da vitória de M. Trump como um senador do Alabama tentou dissipar suspeitas, vigorosamente rejeitar qualquer hipótese de " conluio " descrito como " mentira desprezível ." Mr. Sessões teve dele cargas fracas por agora identificados.

Parte da audiência girava em torno de duas reuniões conhecidos com o embaixador russo em Washington Sergei Kislyak à margem da convenção nomeação republicana em Cleveland, em seguida, em seu escritório do Senado, bem como a possibilidade de um terceiro, durante um discurso de política externa entregue por M. Trump em um hotel de Washington. Nenhum deles realmente não são favoráveis, como fez notar com uma forte ênfase senador republicano de Arkansas, Tom Cotton, para uma trama maçante.

Mas muitas vezes a memória falha de Mr. Sessions, que esmaltado suas respostas de " não me lembro " e " talvez " tem impedido dissipar quaisquer dúvidas, incluindo o conteúdo da conversa realizada em sua agenda de escritório parece ter desaparecido de suas memórias. Foi o mesmo com suas recusas repetidas para reportar o conteúdo de eventuais discussões com M. Trump sobre este assunto, de acordo com uma das prerrogativas do seu cargo.

Sessions também confirmou dois elementos do depoimento de M. Comey entregue uma semana antes. Primeiro uma cabeça cabeça-de-it com o presidente depois de uma reunião em que o próprio Mr. Sessões tinha participado. Durante a entrevista, M. Trump teria sugerido a M. Comey, que ainda foi diretor da Polícia Federal, para colocar um fim a uma investigação sobre seu ex- assessor de segurança nacional, Michael Flynn renunciou por deitado conteúdo de uma conversa com o embaixador russo.

O Ministro da Justiça também confirmou que M. Comey havia, em seguida, informou-o de seu desconforto com o comportamento do presidente.

Falta de interesse

O procurador-geral também abundaram no sentido de uma falta de interesse de M. Trump enfrentando estes interferência russa que o presidente continua a negar , assegurando, por exemplo, em 9 de Junho que o caso foi realmente fabricado pelos democratas para justificar sua derrota 08 de novembro. Sessions assegurou não ter nenhuma lembrança de uma conversa com M. Trump sobre isso. Ele acrescentou que não tinha mesmo recebeu qualquer relatório sobre a investigação russo antes ele fica para baixo, enquanto a Polícia Federal está ainda sob a sua autoridade.

O senador independente Angus King of Maine tem a resposta mais gritante Jeff Sessions quando perguntado se ele acreditava que a Rússia queria " interferir na eleição em 2016 ". " Parece tão ", respondeu o procurador-geral . " Mas você nunca tenha feito uma pergunta sobre isso ", reviveu o senador. " Não ", respondeu o chamador.

Após audiências sucessivas de M. Comey e Sessions e enquanto se aguarda uma possível testemunho sob juramento do Sr. Trump, que disputava 09 de junho, ponto por ponto o ex-chefe da polícia federal, a pesquisa "Russian" poderia deixar o centro do palco, sob a orientação do procurador especial, nomeado 17 de Mai, ele próprio um ex-chefe do FBI. A controvérsia que atingiu nesta segunda-feira e terça-feira disse que, por enquanto, é menos a substância da questão como as reações que continua a criar essa controvérsia combustível.

Um parente de M. Trump, Christopher Ruddy, chefe do grupo de mídia conservadora Newsmax criou de facto a surpresa ao mencionar uma possível demissão de Robert Mueller, embora a Casa Branca assegurou mais tarde que esta suposição não é tópica. Esta controvérsia e Mr. Sessões audição se sobrepuseram completamente o assunto que deve dominar a agenda desta semana M. Trump: o trabalho .

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Dióxido de carbono atmosférico causando greening global fazendo algumas áreas mais quentes e alguns mais frios


Uma pequena equipe de pesquisadores da Diretoria de Recursos Sustentáveis ​​da Itália e da Universidade de Ghent, na Bélgica, encontrou evidências de que algumas partes do planeta estão se tornando mais frias e outras mais quentes devido a um aumento no verde localizado. Como observa a equipe em seu artigo publicado na revista Science , grande parte do aumento na ecolocalização é devido a um aumento do dióxido de carbono atmosférico.

Além de causar a atmosfera para aquecer em geral, o aumento do dióxido de carbono atmosférico também está causando muitas partes do planeta que já eram verdes para se tornar mais verde, os pesquisadores relatam. Que greening, eles sugerem, faz com que algumas áreas regionais para se tornar um pouco mais quente e outros mais frias. Mas não é apenas carbono atmosférico que está contribuindo para a ecolocalização. O nitrogênio usado em fertilizantes faz seu caminho em ecossistemas naturais, causando mudanças. A terra também é alterada pelas atividades humanas.

Em uma área que é geralmente morna, um aumento na tampa da folha pode conduzir ao resfriamento local devido à transpiração da planta (evaporação da água) que condensa no ar, os investigadores relatam. Em lugares mais frios, o impacto pode ser o oposto - nas regiões boreais (árvore coberta) e lugares mais frios, as temperaturas locais podem subir ligeiramente devido à menor luz solar sendo refletida de volta da superfície.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores estudaram dados de satélite para o período de 1982 a 2011, o que lhes permitiu atribuir um índice de área foliar (LAI) a várias partes da superfície da Terra. No mapeamento de todo o planeta, o grupo descobriu que, para aproximadamente 60% de todas as áreas de plantas, um aumento na ecolocalização mitigou o aquecimento global em aproximadamente 14%. Para áreas mais frias, greening levou a um aumento das temperaturas do ar de aproximadamente 10 por cento. Eles também descobriram que o impacto poderia ser mais dramático durante condições climáticas extremas - por até cinco vezes, por exemplo, durante períodos quentes e secos ou períodos frios e úmidos.

Os pesquisadores sugerem que suas descobertas indicam que as mudanças na vegetação têm claramente um impacto no clima local e, portanto, devem ser levadas em consideração à medida que estratégias de mitigação e adaptação são desenvolvidas para lidar com um planeta que se aquece.
 Explore ainda mais: o aumento do CO2 devido às alterações climáticas pode não melhorar a agricultura, mostra modelo.

Mais informações: Giovanni Forzieri et al. Os satélites revelam respostas contrastantes do clima regional ao ecologismo generalizado da Terra, Ciência (2017). DOI: 10.1126 / science.aal1727

Resumo 

Alterações na cobertura vegetal associadas à ecologia observada podem afetar diversos processos biofísicos cujos efeitos líquidos no clima não são claros. Aqui, analisamos a dinâmica de sensoriamento remoto no índice de área foliar (IAF) e fluxos de energia para explorar a variação associada no clima local. Mostramos que a tendência crescente dos IAF contribuiu para o aquecimento das zonas boreais através da redução do albedo superficial e de um resfriamento por evaporação em regiões áridas. A interação entre o LAI e a biofísica superficial é amplificada até cinco vezes em anos extremos de seca-quente e frio-úmido. Ao todo, esses sinais revelam que a dinâmica recente da vegetação global teve impactos biofísicos relevantes nos climas locais e deve ser considerada no desenho de planos locais de mitigação e adaptação.


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EXÉRCITO DOS EUA TEM DOIS ESQUADRÕES DE COMBATENTES ESPACIAIS PARA COMBATER EXTRATERRESTRES


Duas equipes de especialistas da Força Aérea estão agora lá fora, nas Montanhas Rochosas, nos EUA, preparando-se para defender os interesses da América no espaço. Estes são o 26o esquadrão do agressor do espaço junto com o 527th esquadrão do agressor do espaço. Seu trabalho é treinar o restante das forças armadas para todos os argumentos possíveis que podem levar à guerra com extraterrestres, juntamente com a elaboração de estratégias que lhes permitam defender os interesses dos Estados Unidos no espaço.


Isso pode soar como algo fora de um filme, se preparando para um ataque alienígena. Eles estão assumindo papéis de bandidos, jogando em escala intergaláctica atacando junto com tropas de provocação dos EUA em batalhas de espaço simulado. Eles têm a mentalidade de que batalhas espaciais podem ocorrer e ameaçar os Estados Unidos, assim como países estrangeiros e quaisquer outros poderes hostis. 

TROPAS MILITARES DOS EUA TREINADAS PARA USO ESTRATÉGICO DE RECURSOS ESPACIAIS.

O trabalho dos Agressores do Espaço é treinar as tropas do Exército dos EUA para poder fazer uso estratégico dos recursos espaciais. Um exemplo seria a participação em interferências de força bruta, usando as redes de satélites para enviar sinais de modo que quaisquer mensagens originais enviadas não possam ser lidas por pessoas de fora. Eles também estão treinando as forças nos EUA para lutar sem o uso de quaisquer recursos espaciais; Isso incluiria as comunicações via satélite ou GPS, para se certificar de que eles seriam capazes de lutar competentemente usando apenas mapas, navegação inercial e bússolas. 

O capitão Christopher Barnes, o 26º chefe de treinamento do SAS, disse que estuda qualquer ameaça ao espaço, que pode vir de terra ou espaço. Ele passou a dizer que, se eles são incapazes de replicá-los diretamente com o hardware, eles trabalham fora se há uma solução de software ou se há uma maneira que as pessoas podem ser treinados para que seja possível lutar através deles ou se tudo o resto Falhar, lutar no conflito. Os Agressores do Espaço lançam ataques que são simulados juntamente com exercícios de treinamento. No entanto, mais do que apenas jogos, as simulações são uma resposta às ameaças à segurança que são levadas a sério. A maioria da guerra e da defesa americanas é dependente do sistema do GPS, que é compor de uma corrente de 31 satélites . 

SE OS SATÉLITES FOREM LEVADOS PARA FORA, AS TROPAS NOS ESTADOS UNIDOS FICARIAM INDEFESAS Recentemente, funcionários de alto escalão do exército norte-americano disseram que é preciso mais preparação para defender o espaço, mais ainda devido ao desenvolvimento de armas anti-satélites na Rússia e na China. Foi dito que o inimigo poderia tirar satélites e que isso iria deixar as tropas nos EUA indefesos.


O diretor executivo do Escritório de Comércio do Espaço, Ed Morris, disse que a ameaça pode esticar mesmo fora do campo de batalha. Ele disse que quando as pessoas perdem a conexão com a internet no escritório acham difícil trabalhar, ele então perguntou o que aconteceria se a conexão do celular fosse perdida, a TV, o rádio, o uso do cartão de crédito, o acesso à ATM e talvez até a eletricidade. 

MANUAL SOBRE DIREITO INTERNACIONAL APLICÁVEL AO USO MILITAR DO ESPAÇO EXTRAÍDO O mundo inteiro reconheceu agora a ameaça da guerra junto com a agressão no espaço e como importante é se preparar para ela. Um grupo de advogados tem vindo a elaborar o primeiro corpo de lei para ter sido aplicado ao espaço. O trabalho tem sido baseado em grande parte nos princípios do direito internacional que já existem e vêm dos esforços da coalizão e terá o nome do Manual de Direito Internacional Aplicável aos Usos Militares do Espaço Exterior. No momento, está indeciso sobre como o manual vai se aplicar às várias nações da Terra, no entanto, se vai funcionar, nações como os EUA terão que optar por participar. Um pouco como as Nações Unidas, sem compromisso e com a participação dos Estados membros, o direito internacional, seja ele aplicado no espaço ou na Terra, provavelmente não será eficaz. 


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Como funciona a areia "cinética"?


Um material hipnotizante chamado "areia cinética", que pode ser moldado como argila, mas também de alguma forma se sente sedoso, é agradável para crianças e adultos.

Uma pesquisa no Instagram para #kinetics e, por exemplo, transforma milhares de vídeos de pessoas cortando, esmagando e escavando as coisas, no que parece uma grande experiência sensorial.

Mas o que dá areia cinética seus efeitos transfixing? [ Experiências científicas para crianças ]

A areia cinética é areia regular que foi revestida com óleo de silicone, disse Rick Sachleben, membro da American Chemical Society.

" Silicone " não se refere a um material específico, mas sim a um grupo de materiais que contêm os elementos silício e oxigênio. Silicones são polímeros, o que significa que são moléculas feitas de longas cadeias de unidades repetidas.

Os compostos são usados ​​em "todos os tipos de produtos, desde cosméticos, loções, shampoos e condicionadores, até lubrificantes e selantes", disse Sachleben.

"Os óleos de silicone têm propriedades únicas, pois podem ser líquidos que fluem livremente ou semi-sólidos que fluem lentamente na ausência de pressão, mas agem como sólidos elásticos sob estresse", disse Sachleben à Live Science. Essa característica é chamada de "viscoelasticidade", disse ele.

Mas o grau de viscoelasticidade de uma substância depende do comprimento das cadeias de polímero no óleo de silicone, disse Sachleben.

Por exemplo, "Imagine longas (muito longas!) Cordas de espaguete ", escreveu Sachleben em um e-mail. "Eles ficam juntos, então eles podem segurar uma forma, mas colocar uma bola deles no balcão e, com o tempo, eles lentamente afundar em uma pilha baixa. Cordas mais longas [de espaguete] manter a sua forma melhor do que os mais curtos . "

Da mesma forma, com areia cinética, as cadeias de polímero dentro do óleo de silicone fazer as partículas de areia ficar juntos para que você possa formá-los em uma bola. No entanto, a bola vai lentamente achatar ao longo do tempo.

Mas as partículas de areia revestidas com óleo de silicone ficam apenas umas com as outras, não com outras superfícies, observou Sachleben. É por isso que a areia cinética não parece "pegajosa" e é fácil de limpar, disse ele.

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